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AEP e AET: o que a NR-17 pede sobre ergonomia nas empresas de Goiânia

A NR-17 organiza a ergonomia em duas etapas: a Avaliação Ergonômica Preliminar (AEP) e, quando necessário, a Análise Ergonômica do Trabalho (AET). Veja o que cada uma faz e quando a empresa precisa delas.

Publicado em 13/10/2026 · Leitura de 5 min

Dores nas costas, tendinites, fadiga visual e cansaço mental estão entre as queixas mais comuns em escritórios, indústrias, comércios e centros de distribuição. A NR-17 é a norma que trata da ergonomia, ou seja, da adaptação das condições de trabalho às características de quem trabalha. Desde a sua revisão mais recente, ela passou a funcionar de forma integrada ao gerenciamento de riscos da NR-1 e organiza a avaliação em duas ferramentas: a AEP e a AET.

A seguir, explicamos o papel de cada uma, quando são necessárias e como evitar que virem apenas mais um documento na gaveta. As regras gerais aqui descritas devem sempre ser aplicadas com avaliação profissional caso a caso, conforme a norma vigente.

O que a NR-17 abrange

A ergonomia vai muito além da cadeira e da altura do monitor. A NR-17 considera, entre outros aspectos:

  • levantamento, transporte e descarga de cargas;
  • mobiliário, postos de trabalho, equipamentos e ferramentas;
  • condições ambientais, como iluminação, ruído e conforto térmico em ambientes de trabalho intelectual;
  • organização do trabalho: ritmo, pausas, metas, jornada, conteúdo das tarefas e exigências cognitivas.

A norma também possui anexos com regras específicas para algumas atividades, como trabalho em checkout e teleatendimento.

AEP: Avaliação Ergonômica Preliminar

A AEP é a primeira etapa. Ela identifica, nas situações de trabalho, os fatores que demandam adaptação às características dos trabalhadores e serve de base para incluir os perigos ergonômicos no inventário de riscos do PGR. A norma admite diferentes abordagens (qualitativas, semiquantitativas, quantitativas ou combinadas) e prevê que a avaliação seja registrada pela organização.

Na prática, a AEP costuma envolver:

  • visita aos setores e observação das atividades reais;
  • conversa com trabalhadores e lideranças;
  • uso de ferramentas e checklists de avaliação ergonômica;
  • classificação das situações e definição de medidas de prevenção para o plano de ação.

AET: Análise Ergonômica do Trabalho

A AET é uma análise aprofundada, feita sobre situações específicas. Ela estuda a atividade real com mais detalhe, considera a organização do trabalho e a percepção dos trabalhadores e chega a recomendações de melhoria para postos, equipamentos, processos e organização. A NR-17 indica a AET, por exemplo, quando:

  • a AEP aponta a necessidade de uma avaliação mais aprofundada;
  • as medidas adotadas se mostram inadequadas ou insuficientes;
  • o acompanhamento de saúde dos trabalhadores no PCMSO sugere essa necessidade;
  • a análise de acidentes ou doenças relacionadas ao trabalho aponta relação com as condições de trabalho.

A norma prevê tratamento diferenciado para microempresas e empresas de pequeno porte em algumas situações. Como os detalhes dependem do enquadramento da empresa, vale confirmar com um profissional antes de deixar de fazer qualquer avaliação.

AEP x AET: comparação rápida

AspectoAEPAET
ObjetivoIdentificar e classificar fatores ergonômicosAnalisar a fundo situações específicas
AbrangênciaSituações de trabalho da empresaPostos, setores ou atividades selecionados
QuandoDentro do gerenciamento de riscosEm situações previstas na NR-17
ResultadoPerigos no inventário e medidas no plano de ação do PGRDiagnóstico detalhado e recomendações

Como a ergonomia se conecta ao PGR, ao PCMSO e aos riscos psicossociais

A ergonomia não é um documento isolado. Os perigos identificados na AEP entram no inventário do PGR, e as medidas de prevenção entram no plano de ação. O PCMSO, por sua vez, acompanha a saúde dos trabalhadores e pode sinalizar queixas ou adoecimentos que levem a uma AET. Fatores da organização do trabalho, como metas, ritmo e pressão, também se relacionam com os riscos psicossociais que a NR-1 inclui no gerenciamento de riscos.

Dica prática: mais importante do que ter o documento é executar o plano de ação. Registre o que foi feito (troca de mobiliário, rodízio de tarefas, pausas, treinamentos) e revise a avaliação quando houver mudanças de processo, layout ou equipamentos.

Sinais de que a empresa precisa olhar para a ergonomia

  • queixas frequentes de dores musculares ou atestados por problemas osteomusculares;
  • atividades com movimentos repetitivos, posturas forçadas ou manuseio de cargas;
  • trabalho prolongado em computador sem adequação do posto;
  • metas e ritmo intensos, com pouca autonomia para pausas;
  • mudança de layout, compra de máquinas ou novos processos;
  • fiscalização ou ação trabalhista que questiona as condições de trabalho.

Passo a passo para organizar a ergonomia na empresa

  1. Mapeie as atividades: liste setores, funções e tarefas, incluindo as administrativas, que costumam ser esquecidas.
  2. Faça a AEP: avalie as situações de trabalho com profissional habilitado e registre os resultados.
  3. Leve os resultados ao PGR: inclua os perigos ergonômicos no inventário de riscos e as medidas no plano de ação, com responsáveis e prazos definidos pela empresa.
  4. Ouça os trabalhadores: a participação de quem executa a tarefa ajuda a encontrar soluções viáveis e aumenta a adesão às mudanças.
  5. Faça a AET quando indicada: aprofunde a análise nas situações previstas na norma.
  6. Acompanhe e revise: cruze os dados do PCMSO, dos atestados e dos acidentes com as medidas adotadas e atualize a avaliação sempre que o trabalho mudar.

Como a Medicina do Trabalho 1 pode ajudar

Elaboramos AEP e AET para empresas de Goiânia e região metropolitana dentro do serviço de laudos técnicos e ergonomia, com profissionais legalmente habilitados, e integramos os resultados ao PGR e ao PCMSO. Também podemos apoiar a execução do plano de ação com treinamentos e o acompanhamento contínuo pela gestão de SST. Cada empresa é avaliada individualmente. Fale conosco pelo WhatsApp ou pela página de contato.

Perguntas frequentes

Toda empresa precisa de AET?

Não necessariamente. A AEP é a etapa inicial de avaliação ergonômica. A AET é feita nas situações indicadas pela NR-17, como quando a AEP aponta necessidade de aprofundamento ou quando o acompanhamento de saúde sugere essa análise.

AEP e AET substituem o PGR?

Não. Elas complementam o PGR: os perigos ergonômicos identificados entram no inventário de riscos e as medidas de prevenção entram no plano de ação do programa.

Ergonomia é só para escritório?

Não. A NR-17 se aplica a todas as atividades, incluindo indústria, comércio, logística, saúde e serviços, e considera também a organização do trabalho, não apenas o mobiliário.

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