Aumentar o volume da TV, pedir para as pessoas repetirem o que disseram, ter dificuldade para acompanhar conversas em restaurantes: sinais assim costumam ser atribuídos ao cansaço, à idade ou à falta de atenção. Muitas vezes, porém, são o primeiro indício de que a audição mudou. Como a perda auditiva tende a avançar devagar, o cérebro se adapta e a pessoa demora a perceber. Neste artigo, explicamos quando vale procurar uma avaliação auditiva, como ela funciona e o que fazer com o resultado.
Sinais que merecem atenção
Nem toda dificuldade para ouvir é perda auditiva, mas alguns sinais justificam conversar com o médico e considerar a avaliação:
- dificuldade para entender conversas, sobretudo em ambientes com ruído de fundo;
- sensação de que as pessoas falam baixo ou "embolado";
- necessidade de aumentar muito o volume da TV, do rádio ou do celular;
- zumbido persistente, em um ou nos dois ouvidos;
- sensação frequente de ouvido tampado;
- tontura associada a alterações na audição;
- familiares ou colegas comentando que você não escuta bem.
Quem trabalhou ou trabalha em ambientes ruidosos, quem usa fones de ouvido por muitas horas e quem já tem perda auditiva conhecida também se beneficia de acompanhamento regular, conforme a orientação médica.
Zumbido: por que não ignorar
O zumbido, aquele chiado, apito ou ruído que só a própria pessoa escuta, é uma queixa muito comum. Ele pode aparecer de forma passageira depois de um show ou de um ambiente barulhento, mas, quando persiste, merece investigação. As causas são variadas, e a avaliação auditiva é uma das ferramentas que ajudam o médico a entender o que está acontecendo.
Atenção à perda súbita. Uma queda repentina da audição, principalmente em um ouvido só, deve ser avaliada por médico com rapidez, sem esperar o exame de rotina. Em situações graves, procure atendimento de urgência ou ligue para o SAMU 192.
Como é a avaliação audiológica
A avaliação é feita em ambiente adequado, geralmente por fonoaudiólogo, e combina alguns testes conforme o pedido médico e a queixa. Em linhas gerais:
- Entrevista: o profissional pergunta sobre as queixas, a exposição a ruído, o uso de fones e o histórico de saúde dos ouvidos.
- Inspeção do ouvido: antes dos testes, verifica-se se há algo no conduto auditivo, como excesso de cera, que possa interferir.
- Testes em cabine acústica: com fones, a pessoa indica quando ouve sons de diferentes frequências e repete palavras.
- Laudo: os resultados são registrados para que o médico assistente interprete e defina a conduta.
O exame não dói e não exige esforço físico. A pessoa só precisa estar atenta e responder aos estímulos.
O resultado costuma ser apresentado em um gráfico chamado audiograma, que mostra os sons mais baixos percebidos em cada frequência, além dos resultados dos testes com palavras. Ele não é um diagnóstico isolado: o médico interpreta os números junto com a história clínica e o exame físico e, se necessário, pede outros exames ou encaminha a um especialista. Guardar os laudos ao longo dos anos permite comparar resultados e perceber mudanças lentas, que passariam despercebidas em uma avaliação única.
Preparo: o preparo é simples, mas faz diferença no resultado. Em linhas gerais, a orientação é evitar exposição a som alto nas horas anteriores ao teste, para que o ouvido não esteja "cansado". Também é importante não tentar limpar o ouvido com hastes ou objetos antes do exame. As instruções exatas, incluindo eventuais cuidados adicionais, são passadas no agendamento.
Leve o pedido médico, se houver, e exames auditivos anteriores. Comparar resultados ao longo do tempo é uma das informações mais úteis para o médico.
Avaliação clínica não é audiometria ocupacional
É comum confundir os dois. A audiologia clínica é procurada pela própria pessoa ou pelo médico assistente para investigar queixas e acompanhar a saúde auditiva. A audiometria ocupacional é organizada pela empresa, conforme o PCMSO, para monitorar trabalhadores expostos a ruído. Se a sua dúvida é sobre o exame do trabalho, leia o artigo audiometria ocupacional: quando fazer.
Cuidados com a audição no dia a dia
- manter o volume dos fones moderado e fazer pausas;
- usar protetor auricular em ambientes ruidosos, inclusive fora do trabalho;
- não introduzir hastes ou objetos no ouvido para retirar cera;
- procurar avaliação diante de zumbido persistente ou piora da audição.
Esses cuidados são orientações gerais e não substituem a avaliação individual. A indicação de exames e de tratamento é sempre do médico.
Como a Medicina do Trabalho 1 pode ajudar
Realizamos ou organizamos a avaliação auditiva clínica em Goiânia, com laudo para levar ao médico que acompanha você. Também é possível agendar consulta com clínico geral conforme a disponibilidade. O agendamento é feito pelo WhatsApp (62) 3661-0052, de segunda a sexta, das 7h30 às 17h.
Perguntas frequentes
Zumbido sempre significa perda auditiva?
Não. O zumbido pode ter várias causas, e nem sempre está ligado à perda auditiva. Por isso ele merece avaliação: os exames auditivos, junto com a consulta médica, ajudam a investigar a origem e a orientar a conduta. A interpretação cabe ao médico.
Preciso de pedido médico para fazer a avaliação auditiva?
Muitos exames auditivos exigem pedido médico. Ao agendar pelo WhatsApp, informe quais testes constam no pedido, se houver. A equipe orienta sobre a documentação necessária e o preparo.
A avaliação auditiva dói?
Não. Os testes são feitos em cabine acústica, com fones de ouvido, e a pessoa responde a sons e palavras. Antes, é feita uma inspeção do conduto auditivo para verificar se há algo, como excesso de cera, que possa interferir no resultado.
Quando a perda de audição é uma urgência?
Perda súbita de audição, principalmente em um ouvido só, acompanhada ou não de zumbido ou tontura, deve ser avaliada por médico com rapidez, sem aguardar um exame de rotina. Em situações graves, procure um serviço de urgência ou ligue para o SAMU 192.